Curso aborda economia política a partir da realidade para transformação popular

Existe alguma forma de organizar a economia sem gerar desigualdade? Como os recursos públicos são gerados, geridos e distribuídos? Por que o trabalho das mulheres é desvalorizado? Qual a relação entre economia, gênero e racismo estrutural? Para debater estas e outras questões, o Jubileu Sul Brasil e o Jubileu Sul/Américas promoveram o Curso Popular de Economia Política, em parceria com a Semana Social Brasileira.

Traduzindo conceitos econômicos a partir de exemplos do cotidiano, do mundo do trabalho, e da economia internacional, a formação virtual mostra a economia política como ferramenta de análise crítica da realidade e como recurso de transformação social popular. São cinco módulos em videoaulas disponíveis no canal do Jubileu Sul Brasil e da Semana Social Brasileira, e as temáticas de cada aula foram construídas coletivamente, a partir de uma enquete com dúvidas sobre economia, que teve a participação de mais de 150 internautas.

Todo material didático em vídeo é gratuito e acessível ao público em geral, e foi desenvolvido com didática baseada na educação popular de Paulo Freire para debater, a partir da realidade cotidiana, as finanças públicas, processos de endividamento, dimensão de gênero, financeirização e orçamento público.

Foram quase dois mil inscritos de todas as regiões do Brasil e também Argentina, Cuba e Nicarágua, e as videoaulas já alcançaram mais de 10.400 pessoas, além das centenas de cursistas que acompanharam as aulas semanais sincrônicas ao vivo no período noturno. O curso, realizado virtualmente pela primeira vez entre abril e maio, é parte da ação do projeto Protagonismo da Sociedade Civil nas Políticas Macroeconômicas para capacitação de lideranças em temas ligados à dívida, ao orçamento público e às políticas macroeconômicas.

Saiba mais sobre cada módulo e confira a íntegra da formação

Mundo do trabalho e economia política – No primeiro módulo – que teve como pergunta norteadora Por que a economia é política? abordou os efeitos da economia política no cotidiano das trabalhadoras e trabalhadores. Na aula, as educadoras fazem um resgate histórico dos processos de formação da produção capitalista na perspectiva de Karl Marx, para responder questões apontadas pelos cursistas, como as crises do capitalismo, o neoliberalismo e o papel das mulheres na política econômica.

O objetivo do modo de produção capitalista “é mais do que o lucro, e a reprodução do capital faz isto por meio da produção de mercadoria que teria de ser vendida no mercado através da concorrência. E tem de ganhar a concorrência, reduzindo os preços sem reduzir o lucro, o que só é possível com a tecnologia que aumenta a produtividade do trabalho, reduzindo salários, diminuindo e precarizando o trabalho”, explica Dirlene Marques, professora do Departamento de Economia da Universidade Federal de Minas Gerais, facilitadora da primeira aula ao lado da economista e educadora popular Sandra Quintela, articuladora do Jubileu Sul Brasil.

> Assista a aula 1 clicando aqui.

Economia e patriarcado: questões de gênero e racismo estrutural – Os efeitos na economia causados pela relação entre capitalismo e patriarcado estão no centro das discussões do módulo 2 – Por que faltam empregos no Brasil?  A advogada, feminista Magnólia Said, educadora popular do ESPLAR – Centro de Pesquisa e Assessoria, membro do Jubileu Sul Brasil, fala da ideologia patriarcal e aborda como a relação entre o trabalhador e a burguesia reforça esse sistema desigual também quanto às questões de gênero e raça.

O segundo módulo conta ainda com a participação de André Lima, professor de economia política da Universidade Estadual do Ceará, doutor em geografia humana, que trata das sociedades antes do capitalismo, a história e as transformações do capitalismo.

> Acesse a aula 2

Capital financeiro e a concentração de renda – No módulo 3, com o tema Onde está o dinheiro? os educadores explicam por que a dívida pública é vista como prejudicial para alguns países e positiva para outros, tratam do poder dos bancos e explicam os motivos que fazem do dólar a moeda que “manda no mundo”:

“Isso não tem a ver com nada mais do que o poder político do próprio Estados Unidos. Se pensarmos o que significa a economia norte americana para o mundo, o seu poder econômico e militar, se pensarmos qual economia tem a menor chance de quebrar, é a economia norte americana. Nos momentos que ela chega próximo de quebrar, a solução passa por fazer alguma guerra em outro país, invadir um país latino-americano, então é uma moeda que é ‘segura’ nesses termos”, explica Aline Miglioli, economista e educadora popular no Curso de Alfabetização de Jovens e Adultos da Vila Soma, na cidade de Sumaré (SP).

Fabio Luís Barbosa dos Santos, professor da Universidade Federal de São Paulo, autor de “Uma história da onda progressista sul-americana (1998-2016)”, falou de capital financeiro, concentração de renda, processo de financeirização e, entre outros, explicou como é possível para os ricos acumular riqueza sem trabalhar.

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Confira a íntegra do módulo 3

Estado, orçamento e dívida pública Quem se apropria do Estado? é a questão norteadora do módulo 4, que discute as características da formação do Estado latino-americano e suas consequências sobre os povos e territórios e também sobre incidência e protagonismo da sociedade nos processos orçamentários.  “Monitorar o orçamento, se organizar para usar as informações de quem monitora o orçamento é fundamental porque você vai aprender tanto no nível local ou no nível estadual, ou nacional também”, explica Adhemar S. Mineiro, economista e membro da Associação Brasileira de Economistas pela Democracia.

O Estado capitalista vinculado à superexploração do trabalho é abordado por Roberta Traspadini, professora da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA) e coordenadora do Observatório de Educação Popular e Movimentos Sociais na América Latina (OBEPAL-UFES).

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Assista o módulo 4

Existem saídas para esse sistema? Como fazer para descentralizar o sistema econômico das mãos de poucas pessoas? Como podemos fortalecer outras economias políticas? Reunindo alguns dos economistas das aulas anteriores para uma recapitulação, o último módulo aborda questões ligadas às saídas ao aprofundamento da crise socioeconômica, e traz exemplos como inspiração e possibilidades de rompimento com a organização atual da sociedade.Veja a íntegra.

 

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