Comunidade Avá-Guarani Paranaense reivindica reparação por danos sofridos com construção de Itaipu

Indígenas realizam protesto neste 1º de abril em Assunção, no Paraguai

Indígenas realizam protesto neste 1º de abril em Assunção, no Paraguai

Por Flaviana Serafim – Jubileu Sul Brasil

Indígenas da etnia Avá-Guarani Paranaense realizam mobilização neste 1º de abril (sexta-feira), das 15h às 18h (horário de Brasília), em frente à Biblioteca do Congresso Nacional, na Av. Costanera, em Assunção, no Paraguai. Com a realização do Ato de Apresentação das Reivindicações da Comunidade Avá-Guarani Paranaense, a comunidade indígena cobra reparação pelos danos sofridos com o despejo de seu povo, desalojado para a construção da hidrelétrica binacional de Itaipu.

Mais de 30 aldeias desapareceram com a criação do Parque Nacional do Iguaçu e o alagamento para formação do lago, entre 1940 e 1982. Foto: Júlio Carignano/Brasil de Fato/CC

Neste 5 de maio, se completam 38 anos da inauguração da usina, mas há anos a etnia trava uma batalha na justiça até hoje não houve qualquer indenização ao povo Avá-Guarani, como aponta o documento que será apresentado pela comunidade para formalizar e novamente pressionar as autoridades responsáveis. As violações ocorrem há décadas, desalojando e separando famílias, além de desrespeitar o modo de vida dos guaranis.

A violação dos direitos do povo Avá-Guarani em decorrência da construção de Itaipu também já foi denunciada no Brasil à Procuradoria Geral da República (PGR), e um levantamento de impactos, solicitado pela própria PGR, foi feito por procuradores e uma antropóloga, resultando no relatório Avá-Guarani: a construção de Itaipu e os direitos territoriais, de 2019, mas nenhuma medida foi tomada.  O relatório aponta diversas medidas reparatórias possíveis por parte do governo brasileiro, entre as quais a titulação de terras e uma compensação permanente da área alagada, além do reconhecimento público das violações cometidas.

A mobilização conta com apoio da Rede Jubileu Sul Brasil. Na visão da Rede, trata-se de uma reparação histórica, que é financeira, mas também é justiça socioecológica pelos imensuráveis danos sofridos pelos povos indígenas, seus corpos, territórios e pela natureza com a construção da binacional.

“Enviamos toda nossa solidariedade, companheirismo e toda melhor energia para que este ato tenha respostas imediatas às reivindicações da Comunidade Avá-Guarani Paranaense e que haja, de fato, as reparações pelos danos sofridos com o despejo de seu povo, desalojado para a construção da hidrelétrica binacional de Itaipu”, afirma Francisco Vladimir, articulador da Rede no Cone Sul.

Ainda na visão do Jubileu Sul Brasil, é preciso questionar e transformar o atual modelo de desenvolvimento baseado em megaprojetos e no extrativismo, um modelo que impõe violações aos povos e territórios, além de endividamento aos países envolvidos, gerando riquezas que se concentram nas mãos de poucos enquanto prejudica a maioria.

Ato reparacao Ava Guarani

 

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